Assunto:Candelária (06-6-2005) Seguranças reagem e matam dois assaltantes Dois assaltantes morreram em tentativa de assalto a um carro-forte em Candelária na manhã de ontem, 6. A troca de tiros envolveu os seguranças dos carros-fortes, que reagiram contra a ação dos criminosos, no km 135 da RST-287, entre Candelária e Santa Cruz do Sul. Com os assaltantes foram encontradas duas pistolas 9mm e dois fuzis automáticos leves de fabricação belga, calibre 7.62, de uso exclusivo das forças armadas, e uma submetralhadora MP40. Os ladrões colocaram um caminhão sobre a ponte do rio Pardo para obstruir a passagem dos veículos, de propriedade da empresa Proforte, e que transportavam dinheiro para Santa Maria. Os veículos da transportadora também tiveram os pneus furados por miguelitos - peças de metal pontiagudas utilizadas para furar pneus - espalhados pelos bandidos pela rodovia. O caminhão placas JJB 5178, tipo baú, de propriedade do Frigorífico Costela de Ouro, de Esteio, teria passado a noite em frente ao Posto Lago Azul, onde um dos assaltantes possivelmente pernoitou. Ele aguardava contato dos demais integrantes da quadrilha para obstruir a pista, o que aconteceu bem próximo das 8h. Os assaltantes, todos encapuzados, se utilizaram do Golf placas IKG 5650, furtado em Porto Alegre, para praticar o assalto. Entre cinco ou seis elementos, eles seguiam atrás dos veículos da transportadora de valores. Quando os carros-fortes pararam, os bandidos desceram do Golf, iniciando o tiroteio contra os seguranças. Eles pretendiam incendiar os veículos com gasolina para forçar a saída dos seguranças e estourar os cofres dos carros com dinamite. Dois delinqüentes foram atingidos no rosto por tiros de escopeta calibre 12. Um teve morte instantânea e outro ainda correu por cerca de 50 metros antes de tombar morto à beira da rodovia. A polícia suspeitava que um dos assaltantes estivesse escondido num matagal próximo ao local onde estavam os corpos de dois companheiros, e realizou buscas na área - a chamada "operação pente fino". Cerca de 50 policiais estiveram envolvidos na operação. Nenhum suspeito foi encontrado nas imediações. O motorista de caminhão Elton Schwengber acabou envolvido no episódio. Ele conduzia um caminhão da distribuidora Schweickardt, de Santa Cruz, com destino a Candelária, logo atrás do Golf dos bandidos. Sob a mira de uma pistola, Schwengber foi obrigado a entregar o veículo para um dos ladrões, que, durante a manobra, perdeu o controle, fazendo com que o veículo descesse a ladeira que margeia a estrada. O bandido fugiu com os comparsas e Schwengber não sofreu ferimentos. CONGESTIONAMENTO - A RST 287 ficou bloqueada das 8h30 às 10h para que o Instituto de Criminalística pudesse fazer a perícia nos veículos e tentar identificar os assaltantes. Um dos mortos, Júlio César Feiten dos Reis, 37, portava documentos. O outro foi identificado posteriormente como sendo Edgar de Souza, o "Negão", de 37 anos. Ele não tinha documentos. Entre os que conseguiram fugir, um foi ferido. O trânsito foi liberado em meia pista por volta das 10h15. Este foi o maior congestionamento da RST 287 em Candelária. Utilizando-se de um Gol cinza e de um Corsa preto, roubados durante a operação, os assaltantes - três ou quatro - fugiram em direção à localidade de Vale do Sol. O Corsa preto, placas IEP 3567, de Candelária, pertence a Diomara Schmachtenberg, e o Gol cinza, placas IJG 6133, é de propriedade de Décio Seleri, residente em Venâncio Aires. O Corsa acabou sendo abandonado com o motor ligado próximo ao CTG de Vale do Sol. Naquele local foram feitos reféns o casal Wilson e Mônica Zil e seu filho, um bebê de apenas 14 dias, que estava sendo levado para receber atendimento médico em Vale do Sol. O Gol da família foi levado pelos bandidos e até o fechamento desta edição não sido encontrado. A família foi libertada por volta das 19h de ontem próximo à rodoviária de Lajeado. Eles ficaram por 10 horas em poder dos assaltantes. À tarde, uma caminhoneta Saveiro foi encontrada abandonada na localidade de Faxinal de Dentro. Em seu interior, teria sido encontrada uma pistola Colt .45. A informação não foi confirmada pela polícia. Logo no início da tarde, surgiu a informação de que um dos bandidos estaria tentando fugir pelas proximidades da rua Amândio Silva. Para tentar localizá-lo, a Brigada Militar utilizou um avião modelo Ximango que, logo após, recebeu o reforço de um helicóptero, também da Brigada Militar. As aeronaves sobrevoaram o local, mas as buscas também não renderam êxito. Os corpos dos assaltantes mortos só foram retirados do local às 15h30. Candelária na mira dos assaltantes Há algum tempo Candelária está na mira das quadrilhas especializadas em assalto a carros-fortes. Esta foi a terceira tentativa e, por sorte, só os bandidos contabilizam perdas. No dia 12 de janeiro de 2004, também uma segunda-feira, explosivos foram encontrados escondidos na ponte do km 136 da RST-287. O material foi deixado ali para ser utilizado pelo grupo em algum assalto. Segundo a polícia, o bando pretendia explodir a ponte e interromper o tráfego no momento em que atacasse um carro-forte ou mesmo a praça de pedágio. Um agricultor viu a movimentação estranha e acionou a polícia. No dia 16 de janeiro, em Santa Cruz, foi preso Júlio César Reis Correa, o "Zoreia", que conduzia um Vectra roubado. Ele levava dois fuzis e indicou à polícia o possível local em que estavam uma máquina para perfurar asfalto e um sado de moedas que havia sido roubado de um posto de pedágio em Marques de Souza. Na noite de 10 de maio deste ano, outra segunda-feira, uma série de fatores conspirou contra a ação dos bandidos que estavam à espreita para assaltar um carro-forte que passaria na praça de pedágio de Candelária. Uma viatura da Polícia Rodoviária Estadual foi acionada para atender uma ocorrência de acidente de trânsito em frente ao posto Lago Azul. Os policiais que vinham de Santa Cruz a bordo de uma Blazer depararam-se com um caminhão Scania, sem carroceria, trafegando na mesma direção, no acostamento, de forma muito lenta. Os policiais tentaram abordar o condutor do caminhão, que respodeu à abordagem jogando o "cavalinho" contra a viatura, disparando tiros contra os policiais. Na seqüencia, uma Sprinter que vinha de Ibarama e transportava alunos para a Unisc foi atingida. Os ladrões fugiram num Audi A3 que foi encontrado no dia seguinte no interior de Vale do Sol. Bandidos pode ter ligação com "Papagaio" Um dos mortos na tentativa de assalto ao carro forte é o assaltante de bancos Júlio César Feiten dos Reis, 37, natural de Cruzeiro do Sul. Ele era tido como um braço direito de Cláudio Adriano Ribeiro, o "Papagaio", considerado um dos maiores assaltantes do país. Em 1997, Júlio César foi condenado a seis anos de prisão por um roubo a banco em Venâncio Aires e libertado por "Papagaio", do presídio de Santa Cruz cinco meses depois de iniciar o cumprimento da pena. Em 1998, "Papagaio" acabou sendo preso, mas fugiu da prisão de segurança máxima de Charqueadas no dia 5 de junho de 1999. Em janeiro de 2002, "Papagaio" foi encontrado na praia de Ibiraquera, em Imbituba, no Litoral Sul-catarinense. Em junho do ano passado, ele teria comandado, via celular, de dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas - Pasc - , o assalto ao banco Bradesco de Santa Cruz do Sul. Na ocasião, 12 pessoas foram mantidas como reféns. No ano passado ele teria o direito à progressão da pena, mas o pedido foi indeferido pelo Ministério Público. Agentes de segurança demonstram preocupação com a informação de que o detento iria ingressar no regime semi-aberto, já que é um bandido de altíssima periculosidade e teria uma cadeia de informações e de comparsas muito grandes. Ele ainda cumpre pena na Pasc. O outro assaltante morto é Edgar de Souza, conhecido por "Negão", também de 37 anos. Natural de Porto Xavier, ele era fugitivo do Presídio Estadual de Mariante, onde cumpria pena por assalto à mão-armada. Também não está descartada a hipótese de que, com a prisão de "Papagaio", os assaltantes integrem a quadrilha do candelariense José Carlos dos Santos, o "Seco", considerado o procurado número 1 da polícia no Estado. O poder de fogo dos ladrões O poder de fogo dos ladrões é inconteste. Dentro do Golf que utilizaram para tentar assaltar os carros-fortes, foi encontrada farta munição de armas de grosso calibre - tipo 9mm e para fuzis 7.62, além de um balde com "miguelitos", peças de metal pontiagudas utilizadas para furar pneus. No banco de trás, uma submetralhadora do tipo Maschinenpistole MP40. De fabricação alemã, a arma é capaz de disparar 500 tiros por minuto e é municiada com cartuchos do tipo 9mm, cujo pente suporta 32 tiros. No porta-malas do Golf, foi encontrada uma sacola com dinamite, que provavelmente seria utilizada para explodir os carros-fortes. O Grupo de Ações Tática Especial da Brigada Militar detonou o material próximo à rodovia. O estampido pode ser ouvido a quilômetros de distância. Extraoficialmente duas empresas que utilizavam dinamite para mineração na capital teriam sido alvo de assaltantes. Em um dos roubos foram levados 20kg e, no outro, 10kg.